O MISTÉRIO POR TRÁS DAS LUZES DE HESSDALEN


O fenômeno ainda não tem uma explicação científica consensual, mas fascina os apaixonados por ufologia

No Vale de Hessdalen, na década de 1980, moradores ficaram alarmados após terem uma visão bizarra no céu noturno. Eles notaram centenas de estranhas bolas de luz, que voavam em torno da planície norueguesa. Mas não adiantou enrugar os olhos. As órbitas eram reais — e inexplicáveis. 

Daí pra frente só aumentou a frequência de vezes em que os objetos misteriosos eram vistos no vale. Tornou-se costume naquela época serem 20 ocorrências em uma só semana.

As luzes eram tão grandes quanto carros e podiam flutuar por até 2 horas. Foi só uma questão de tempo e surgiram hipóteses malucas entre os apaixonados por ufologia. Podia ser aquilo tudo na verdade um conjunto de OVNIs?


Em busca de uma explicação 

Incrivelmente, esse fenômeno no céu nórdico ainda ocorre hoje em dia. A quantidade de avistamentos, no entanto, é bem mais baixa atualmente— são cerca de 20 por ano. É costume no atual inverno norueguês de Hessdalen que as cores das luzes sejam brancas ou amarelas.

Elas aparecem de noite, normalmente com alguns flashes azuis e brancos, que vêm e vão em um piscar de olhos; mas também podem ocorrer de dia, em cores metalizadas no céu. E as órbitas têm encantado não só o público geral, como também pesquisadores, ávidos por uma explicação, embora haja ainda poucos estudos sobre o tema. 

Em entrevista ao site News Scientist, o pesquisador Bjorn Gitle, da Universidade de Ostfold, da Noruega, relembrou a primeira vez que testemunhou o fenômeno. “[Era] uma noite muito agradável nas montanhas norueguesas, [havia] um céu claro e as estrelas a nossa volta. Tudo frio, é uma vista fantástica e depois do nada - pow! Acende", relatou. “Quando você o vê, não pode esquecê-lo".


Chocados assim como ficou Gitle ao ver as luzes, alguns outros poucos cientistas também estudam o Vale de Hessdalen. Na década de 1990, uma pesquisa mensurou a velocidade dos feixes luminosos como valendo de 8 a 9 m/s (metros por segundo). Além disso, uma estação de medição foi instalada por lá em agosto de 1998.  

Possível resposta

O investimento em pesquisa para avaliar as luzes de Hessdalen ainda é muito baixo. No entanto, um estudo feito por pesquisadores do Irã e da Suíça com 6049 cientistas mostrou que 58% deles considerava que o fenômeno não podia ser negligenciado pelos artigos científicos.

Todavia, ainda há poucos dados sobre o assunto, sobretudo pois a comunidade científica tem receio em avaliar algo relacionado às teorias conspiratórias de OVNIs. Visto isso, há muitas informações desencontradas: conforme cita a pesquisa, as luzes foram vistas também em outros países, sugerindo que elas podem ser parte de um fenômeno global e não só restrito à Noruega.


Descobertas mais importantes 

Em 2014, o site Daily Mail divulgou um estudo que tentava explicar as luzes misteriosas. Segundo a pesquisa, o fenômeno seria causado por uma espécie de bateria natural, que estava enterrada no solo do Vale de Hessdalen. Essa carga possivelmente surgiu a partir de minerais metálicos, reagindo com um rio sulfuroso da região. 

A descoberta foi feita por Jader Monari, do Instituto de Radioastronomia de Medicina, da Itália, em parceria com um cientista da Universidade italiana de Bolonha. Ambos montaram um modelo que atribuiu a culpa pelas luzes ao rio Hesja, que estaria liberando gases sulforosos.

Os gases, em contato com ar úmido, causariam linhas no campo magnético, que ocasionam supostamente o movimento das esferas brilhosas. Porém, há outras teorias sobre as intrigantes luzes.

As principais são as do Projeto Hessdalen, criado pelo engenheiro norueguês Erling Strand, da Universidade de Ostfold. Contrários aos ufólogos, os pesquisadores do programa descartaram a possibilidade das luminosidades serem de naves espaciais ou aviões. 

Eles notaram, porém, que havia realmente uma flutuação no campo magnético das áreas, um pouco antes das luzes surgirem. Só que, quando mediram a radioatividade e a atividade sísmica viram que não havia nada incomum que pudesse causar esse fenômeno. Ainda estão, portanto, sem uma resposta definitiva para explicá-lo. 

Por outro lado, alguns estudiosos dissem terem respostas. Eles relacionam as luzes de Hessdalen à um tipo de plasma que causa essas luzes. Ou ainda, algo relacionado aos raios em contato com substâncias químicas na região.


Porém, por enquanto, a melhor hipótese é a da bateria, que é defendida por Bjorn Gitle Hauge, o cientista que viu as luzes enigmáticas de perto. Segundo o especialista, se isso for comprovado de fato, em breve a ciência poderá usar as luzes para algo importante.

E não tem nada a ver com os extraterrestres, mas sim com a geração de energia elétrica. "Se tivermos algum tipo de instalação em que poderemos pegar partículas carregadas e trancá-las lá dentro, poderemos armazenar energia", apontou o pesquisador.