ASTRÔNOMOS IDENTIFICAM MAGNETAR QUE FOI "RECÉM NASCIDO" COM APENAS 240 ANOS


Cientistas da Nasa conseguiram observar um magnetar com apenas 240 anos, situado a 16 mil anos-luz da Terra. A análise do astro, batizado de Swift J1818.0-1607, foi publicada no Astrophysical Journal Letters na quarta-feira (17).

Um magnetar é uma estrela de nêutrons cujo magnetismo é absurdamente elevado — astros do tipo são considerados os mais magnéticos do Universo. As estrelas de nêutrons, por sua vez, são extremamente densas: uma colher de chá de seu material equivaleria a 3,6 toneladas na Terra. O Swift J1818.0-1607, por exemplo, tem o dobro da massa do nosso Sol em um volume mais de um trilhão de vezes menor.

Embora existam mais de 3 mil estrelas de nêutrons conhecidas, os cientistas identificaram apenas 31 magnetares confirmados — incluindo a Swift J1818.0-1607, que está localizada na constelação de Sagitário. Como explicam os especialistas, este é o astro do tipo mais jovem já observado: como a luz leva tempo para percorrer o cosmos, eles viram a luminosidade que a estrela de nêutrons emitia cerca de 16 mil anos atrás, quando tinha apenas cerca de 240 anos.

"Este objeto está nos mostrando o início da vida de um magnetar, logo após sua formação, o que jamais vimos antes", disse Nanda Ream, uma das pesquisadoras, em comunicado. "Talvez se entendermos a história da formação desses objetos, entenderemos por que há uma diferença tão grande entre o número de magnetares que encontramos e o número total de estrelas de nêutrons conhecidas".

Detecção

Embora as estrelas de nêutrons tenham apenas de 15 a 30 quilômetros de largura, elas podem emitir enormes rajadas de luz que são poderosas e brilhantes o suficiente para serem vistas em todo o Universo. Foi pensando nisso que os cientistas da Nasa começaram a analisar os dados obtidos pela missão Swift, lançada em 2004.

Segundo os pesquisadores, o pico de atividade de uma estrela de nêutrons (como uma explosão), ela geralmente começa com um aumento repentino de brilho que dura alguns dias ou semanas, que é seguido de um declínio gradual ao longo de meses ou anos. Além disso, o fenômeno aumenta as emissões de raios-X, raios gama e até ondas de rádio — e todos esses eventos podem ser monitorados.

"O que é surpreendente sobre os [magnetares] é que eles são bastante diversos [entre si] como uma população", comenta Victoria Kaspi, astrofísica canadense que não participou do estudo. "Cada vez que você encontra um, está contando uma história diferente. Eles são muito estranhos e muito raros, e acho que não encontramos todas [as suas versões]".

 #universomisterioso #space #universe