CAPTADA POR TELESCÓPIO REVELA GALÁXIA EM DISCO FORMADA NO INICIO DO UNIVERSO


Novas observações feitas com o telescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no Chile, revelam a existência de uma galáxia massiva em forma de disco no início do Universo. Segundo um artigo, publicado na Nature nesta quarta-feira (20), o sistema surgiu apenas 1,5 bilhão de anos após o Big Bang (que ocorreu há 13,8 bilhões de anos).

A galáxia DLA0817g, apelidada de Disco Wolfe em homenagem ao falecido astrônomo Arthur Wolfe, é o sistema em formato de disco mais distante já observado. De acordo com os astrônomos, outro aspecto fascinante é que a galáxia gira a 272 quilômetros por segundo, velocidade semelhante à da Via Láctea.

A descoberta do Disco Wolfe oferece um desafio para muitos modelos de formação de galáxias propostos pelos cientistas. Isso porque eles trabalham com a ideia de que, na época da evolução do cosmos, esses sistemas cresciam a partir de muitas fusões de galáxias menores e aglomerados quentes de gás. Dessa forma, discos bem formados como o observado só deveriam existir a partir de 6 bilhões de anos após o Big Bang.

O novo achado, entretanto, sugere que outros processos de crescimento existiam no início do Universo. "Acreditamos que o Disco Wolfe tenha crescido principalmente pelo acúmulo constante de gás frio", disse Xavier Prochaska, coautor do artigo, em declaração. "Ainda assim, uma das questões que resta é como formar uma massa de gás tão grande, mantendo um disco rotativo relativamente estável."


Os especialistas também notaram que a taxa de formação de estrelas no Disco Wolfe era pelo menos dez vezes maior do que em nossa galáxia. "Deve ser uma das galáxias de disco mais produtivas do Universo primitivo", comentou Prochaska.

A equipe descobriu a galáxia quando examinava a luz proveniente de um quasar mais distante. A iluminação emitida pelo fenômeno foi absorvida ao passar por um enorme reservatório de gás hidrogênio ao redor do Disco Wolfe, revelando-o.

Isso indica que, em vez de procurar pela luz emitida diretamente das galáxias, eles podem utilizar esse método de "absorção" para encontrar sistemas cuja luminosidade seja mais fraca. "Quando nossas mais recentes observações com o ALMA mostraram surpreendentemente que [o Disco Wolfe] está girando, percebemos que as galáxias em disco rotativas não são tão raras quanto pensávamos, e que deve haver muitas mais por aí", observou Marcel Neeleman, coautor da pesquisa.

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