Universo Misterioso

AMERICANOS CRIAM PROJETO PARA PRESERVAÇÃO DE CORAIS


Desde a adolescência, Colin Foord é fascinado pelos oceanos. Nascido e criado no frio do estado norte-americano de New Hampshire, decidiu morar na calorosa Flórida para cursar Biologia Marinha na Universidade de Miami. Na graduação, conta, descobriu que seus professores sabiam pouquíssimo sobre corais, animais cnidários que vivem principalmente em águas tropicais.

Além da falta de referências acadêmicas, Foord relata que seus mentores tampouco tinham interesse em aprender mais sobre esses seres. Inconformado, convidou o amigo de infância, o músico Jared McKay, para estudar as criaturas.

Foi assim que, em 2007, eles fundaram a Coral Morphologic, iniciativa que une arte e ciência para divulgar a importância desses bichos para o planeta. A dupla documenta, fotografa, filma e até ajuda a produzir canções sobre corais que eles criam em tanques — ou, como chamam, em um “estúdio multimídia de aquacultura”. As imagens chamam a atenção porque mostram em detalhes os formatos, texturas e cores desses organismos. Alguns desses registros já integraram produções do canal BBC e da National Geographic, como a série documental One Strange Rock (2018), que foi apresentada pelo ator Will Smith e está disponível na Netflix no Brasil. O projeto também foi o tema central do documentário Coral City (2015), do diretor John McSwain.

Alguns corais brilham devido à presença de uma proteína fluorescente, cuja função biológica ainda não é totalmente compreendida pelos cientistas. “Se você trouxer um coral para a superfície, o brilho fluorescente será bloqueado pelos raios solares. Muitas pessoas questionam se isso é real, mas claro que é”. Para conseguir captar as cores e o brilho dos corais com boa nitidez, ele e McKay utilizam câmeras à prova d’água, microscópios e até equipamentos semelhantes aos empregados em pesquisas forenses, como a luz ultravioleta, que identifica amostras de sangue no escuro, por exemplo.

A dupla tem aproximadamente 300 espécies. “Uma amostra muito pequena da quantidade que existe no oceano”, comenta Foord. Os exemplares foram retirados da Baía Biscayne, laguna que liga as cidades de Miami e Miami Beach. Nas partes submersas das pistas de carros da região surgiram os “corais urbanos”, como são chamados aqueles que não crescem em recifes de corais, seu habitat mais comum. “Ter corais na área urbana é algo que não imaginávamos que poderia acontecer”, encanta-se.

“Corais de recifes estão morrendo com mais frequência do que os corais urbanos e queremos entender por que isso está acontecendo”, explica Foord. Ele diz acreditar que o projeto possa ajudar a entender como esses seres se adaptam às mudanças climáticas e a outras alterações no ambiente.

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